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Prédios Famosos

Histórico do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena

Data: 25/09/2009

O primeiro hospital psiquiátrico de Minas foi criado em 1903, como Assistência aos Alienados do Estado de Minas Gerais, onde antes funcionava um Sanatório particular para tratamento de tuberculose, o qual havia falido e estava desativado. Instalado então, nas dependências do antigo Sanatório de Barbacena, o “hospício”, segundo registros históricos, está situado nas terras da antiga “Fazenda da Caveira” cujo proprietário era Joaquim Silvério dos Reis, conhecido na história mineira como o delator do movimento dos Inconfidentes.

Segundo historiadores, um outro motivo teria levado o hospital para a cidade. Quando da escolha da nova capital mineira, Barbacena foi levantada como uma das opções, entretanto, foi preterida por não possuir recursos hídricos satisfatórios e optou-se por Belo Horizonte; como prêmio de consolação, Barbacena ganhou o Hospital dos Alienados.

Assim, entrava em funcionamento o Hospício de Barbacena, depois, Hospital Colônia de Barbacena que teve como primeiro diretor o Dr. Joaquim Antônio Dutra. Sua capacidade inicial era de 200 (duzentos) leitos.

Nesta época, o Hospital era constituído de um Centro Hortigranjeiro além das oficinas, olaria e carpintaria.

Durante os primeiros 30 anos de funcionamento, o Hospital Colônia foi uma Instituição respeitável oferecendo atendimento humanitário a seus pacientes mesmo dispondo de métodos pouco eficientes em termos de tratamento.

Tendo em vista os bons resultados obtidos, o Hospital Colônia, passou a ser um ponto de convergência para todos os pacientes que as comunidades pretendiam curar ou isolar, ou seja, havia uma grande demanda de doentes mentais, sifilíticos, tuberculosos e marginalizados.

Com este aumento de pacientes, o Hospital passou por uma mudança radical: os leitos eram insuficientes e a escassez de recursos financeiros, materiais e principalmente humanos, tornaram-se graves problemas. O tratamento dispensado aos pacientes passou a ser desumano e degradante, atingindo elevadas taxas de mortalidade. O Hospital tornou-se mero depósito de doentes, entreposto de comércio de cadáveres. Barbacena ganhou o estigma de “Cidade dos Loucos”, e o problema foi se arrastando sem soluções a curto prazo.

O hospital passa a ser chamado de Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena, uma Unidade da antiga Fundação Estadual de Assistência Psiquiátrica –FEAP, a qual começa a pertencer a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais – FHEMIG, fundada pela Lei Estadual 7.088 de 03/10/77, resultado da união de 03 (três) Fundações Estaduais de Assistência à Saúde, entre elas a FEAP.

Em 1979, um grupo de psiquiatras e profissionais ligados à Saúde Mental, iniciando a luta para reverter o modelo, organizaram o III Congresso Mineiro de Psiquiatria e trouxeram Franco Basaglia, psiquiatra italiano, com uma postura marcadamente antimanicomial. O médico italiano fez uma visita ao Hospital e ficou escandalizado com o que encontrou, considerando o Hospício de Barbacena “Um Campo de Concentração Nazista”.

Ainda em 1979, o jornalista Hiram Firmino começou a publicar no jornal Estado de Minas uma série de reportagens intitulada “Os Porões da Loucura”; e o cineasta Helvécio Ratton lançou “Em Nome da Razão”, um curta-metragem demonstrando a vida dentro do hospício.

A partir destas denúncias que chocaram a opinião pública, as autoridades da área da saúde resolveram mudar este quadro contratando profissionais para a área assistencial e mandando um grupo de psiquiatras para Barbacena, que estiveram envolvidos no III Congresso Mineiro, a fim de elaborar um plano de reestruturação do hospital.

O projeto foi elaborado e o hospital passou por um profundo processo de transformação e humanização, visando o resgate da cidadania dos usuários para a reintegração social.

Representando ainda mais um avanço no processo de reestruturação do CHPB, foi inaugurado em 16 de Agosto de 1996, o Museu da Loucura. O Museu é uma atração não apenas para o meio acadêmico, mas para toda a comunidade. Isto porque, além de mostrar a história do antigo “manicômio”, através da exibição de equipamentos, fotografias, documentação de dados coletados e pesquisados em todo o Estado, enfoca a atual abordagem do tratamento psiquiátrico que vem sendo desenvolvida junto aos pacientes. Com isso proporciona abertura para as pessoas aceitarem melhor o portador de sofrimento psíquico e colaborarem no Projeto de reintegração do paciente na comunidade.

Atualmente a instituição promove especial atenção à saúde e cidadania, como:

• Assistência integral a pacientes que são herança de um tempo que não havia grandes preocupações com a reabilitação e reinserção na sociedade, moradores do hospital, chamados crônicos;

• Assistência especializada a pacientes em fase aguda;

• Hospital-dia para usuários de álcool e outras drogas;

• Oficinas Terapêuticas para moradores e usuários externos do CHPB;

• Hospital Regional para atendimentos de clínica médica e cirúrgica, além de serviços de urgência e emergência.

Portanto, a instituição apresenta a missão de:

“Prestar assistência à saúde, com qualidade, que garanta o cuidado, a inclusão social e a emancipação”.

A Unidade Hospitalar ainda tem a missão de colaborar na formação de profissionais, com isto desenvolve o Programa de Residência em Psiquiatria, credenciada pela Comissão Nacional de Residência do Ministério da Educação CNRM/MEC. E a partir do ano de 2007 também o Programa de Clínica Médica no Hospital Regional de Barbacena.

Ainda na área acadêmica a instituição serve de campo de estágio para alunos de graduação. E através do Museu da Loucura recebe regularmente alunos de diversas Escolas e Universidades para visitas técnicas orientadas.





Barbacena, 29 de agosto de 2007.

Lucimar Pereira

Coordenadora do Museu da Loucura

Histórico do Mu seu da Loucura







Em novembro de 1979 aconteceu em Belo Horizonte, o III Congresso Mineiro de Psiquiatria, com o objetivo de deflagrar um processo político de mudanças na área da Psiquiatria, em Minas Gerais.Assim durante a realização do congresso foi mostrado uma Exposição de fotos tiradas no então Hospital Colônia de Barbacena, audiovisuais sobre assistência psiquiátrica e um banco de dados referente à psiquiatria em todo o Estado de Minas, inclusive apontando a 1ª vinda do psiquiatra italiano Franco Basaglia ao Hospital Colônia em julho de 1979. A partir desta Exposição surge pela 1ª vez a idéia de se criar um Museu de Psiquiatria.

Em fevereiro de 1987 uma nova Exposição é montada no Palácio das Artes em Belo Horizonte, também com fotos, documentos, reportagens, objetos e instrumentos sobre o antigo Hospital Colônia e com isso o projeto de criação do Museu ganha força, definindo como objetivo o resgate da história da assistência psiquiátrica pública em Minas Gerais e ainda servir como centro de documentação e pesquisa na área da psiquiatria. Assim iniciam as negociações para a instalação do museu, inclusive o 1º local definido seria o Pavilhão Antônio Carlos, escolhido pela beleza de sua arquitetura do início do século. Porém, nesta época não foi possível concretizar o projeto.

Apenas no ano de 1996 conseguiu-se retomar o projeto do Museu quando a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais, através do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena firmou o convênio com a Fundação Municipal de Cultura da cidade para concretizar a instalação do Museu dentro do projeto Memória-Viva com o objetivo de resgatar a história de Barbacena, mantendo em seus locais originais o núcleo histórico.

Assim através da parceria entre a FHEMIG-CHPB e a FUNDAC, foi escolhido um novo local para a instalação do Museu, ou seja, o Torreão do Hospital, que também possui uma beleza e suntuosidade arquitetônica, e nesta época inicia a restauração e adequação do prédio. Também foi feito um trabalho de pesquisa, recolhimento de peças e textos com a finalidade de montar o acervo. Surge então o nome definitivo - Museu da Loucura - e sua inauguração aconteceu em 16 de agosto de 1996.

O Museu é uma atração não apenas para o meio acadêmico, mas para toda a comunidade. Isto porque além de mostrar a história do antigo “manicômio” através da exibição de equipamentos, acervo do hospital e ainda documentação de dados coletados e pesquisados em todo o Estado, enfoca a atual abordagem do tratamento psiquiátrico que vem sendo desenvolvida junto aos pacientes. E com isso proporciona abertura para a comunidade aceitar melhor o portador de sofrimento psíquico.

Abrindo as portas para a visitação pública, há a expectativa de um envolvimento maior com a comunidade, o que é bom para os pacientes e para a própria comunidade, a qual precisa entender que a doença mental não requer necessariamente o isolamento total do doente e sua exclusão da sociedade.

Desta forma, o Museu é mais um avanço no processo de humanização que o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena – CHPB tem experimentado.

O objetivo principal do Museu consiste em resgatar a memória do CHPB para que o passado de horrores e equívocos nunca volte a acontecer e ainda colaborar no projeto de reabilitação psicossocial do morador da instituição, promovendo o elo sociedade-instituição. Constitui também meta do Museu ser referência cultural dentro do hospital, assim vem promovendo eventos artísticos periódicos como apresentação de dança e de conjuntos musicais despertando a sensibilidade e propiciando momentos de lazer a pacientes, funcionários e a comunidade. E também através da Galeria de Arte, anexa ao Museu, inaugurada em 19 de dezembro de 1997, oferece oportunidades para exposições de artistas da região e para mostrar os trabalhos manuais feitos pelos moradores e usuários do CHPB. A galeria recebeu o nome do médico José Ribeiro de Paiva Filho, ex-superintendente da FHEMIG e grande colaborador no resgate da história da medicina.

Os visitantes ficam muito sensibilizados quando percebem estes objetivos do Museu demonstrando apoio e adesão a esta iniciativa. Isto pode ser comprovado na mudança de postura frente aos moradores da instituição, quando conseguem expressar um olhar diferente e uma atenção especial com carinho e respeito, aceitando o paciente como integrante da comunidade. E também entendendo que a participação de todos é fundamental para que a mudança e o progresso se instalem de fato. Como relatou um visitante no livro de registros do Museu: “ Que boa parte dos brasileiros pudesse passar por aqui para acreditar que a vontade pode fazer mudar. O destino se faz, se modifica! Experiência insubstituível a de estar aqui”.













Barbacena, 18 de dezembro de 2003

Lucimar Pereira

Coordenadora do Museu da Loucura

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